14/09/2020 -- México -- Prédio Central
O prédio central, antes imponente, agora exaurava panico.
O oitavo andar estava em ruínas. Vidros quebrados caíram como chuva. Alarmes gritavam em
línguas metálicas. Guardas corriam assumindo posi??es enquanto civis se empurravam para fora
das portas giratórias, alguns chorando, outros gritando nomes que ninguém respondia.
Eu senti que aquilo tinha acabado de come?ar.
Torben observava tudo alguns metros atrás de mim, m?os nos bolsos do casaco, express?o
neutra demais para alguém no meio de um massacre iminente.
" Alex, vamos logo " ele disse, sem emo??o. "Samuel avisou. Quando o sistema cair, teremos
noventa segundos. Nem um a mais."
Respirei fundo.
"E o Jake?"
Torben nem virou o rosto.
"Ele cumpriu o papel dele."
Passamos pela entrada de servi?o no exato segundo em que as luzes piscaram.
E apagaram.
O sistema caiu como planejado.
"Agora" murmurei. " Pelas escadas. Elevadores s?o suicídio."
" óbvio " Torben respondeu. "Vamos rápido. Quanto mais alto, mais limpo fica."
As escadas cheiravam a poeira e metal. Subimos dois degraus por vez quando dois guardas
apareceram no patamar acima.
"Ei! Vocês, par---"
O som n?o terminou.
Torben passou por mim como uma sombra.
Um estalo seco.
O pesco?o do primeiro guarda virou num angulo impossível. O corpo caiu antes do cérebro
entender que estava morto. O segundo comecei a correr.
N?o deu tempo.
Mesmo destino.
Fiquei encarando os corpos por um segundo a mais do que deveria.
" Isso foi... seu poder? " perguntei, ainda ofegante.
Torben limpou a manga do casaco como se tivesse encostado em poeira.
" Claro. Eu já n?o disse? Com ele, tudo acaba rápido."
Ele come?ou a subir de novo.
" Vamos. Estamos perdendo tempo."
Subimos.
Um andar. Dois. Três.
" Temos que acelerar " murmurei. " Algo tá errado."
" Sempre está " ele respondeu. " A diferen?a é quem percebe tarde demais."
No décimo andar, as luzes voltaram.
" Merda " Torben sussurrou. " O sistema reiniciou mais cedo."
" Ent?o eles sabem que estamos aqui."
" Sabiam desde o momento em que entramos."
No décimo primeiro andar, Samuel nos esperava, suando, pálido, segurando um tablet com for?a
demais.
" Vamos logo " disse ele, a voz falhando. "Fiz tudo que podia. Bloqueei cameras, rotas internas,
mas isso é o máximo."
Torben passou por ele.
" Relaxa. Com o meu poder, tudo acaba rápido."
Samuel engoliu seco.
" é neste andar."
Parei.
"Aqui?"
" Sim " Samuel confirmou. " A reuni?o foi transferida. Ernesto está logo à frente."
Olhei para Torben.
" Ent?o abre caminho. Usa essa sua ben??o milagrosa. O resto eu fa?o."
Torben sorriu de canto, confiante demais.
" Eu já disse. Com a minha ben---"
O som veio antes da dor.
Um estalo seco.
O corpo de Torben foi empurrado para trás como se tivesse sido puxado por fios invisíveis.
Uma bala atravessou o peito dele.
Sangue quente espirrou no meu rosto.
" TORBEN! "
Antes que eu pudesse reagir, o inferno se abriu.
Metralhadoras cuspiram fogo do outro lado do corredor. A porta do andar foi rasgada por
projéteis. O concreto se estilha?ou. Me joguei para o lado.
Uma bala atravessou meu joelho.
A dor foi imediata, brutal, me derrubando no ch?o.
Torben caiu de joelhos.
Depois de lado.
O corpo dele parecia uma peneira. Nunca saberei qual era o tal poder que 'acabaria tudo rápido'.
Samuel gritava, arrastando-se para trás.
" Eles já estavam esperando! " ele berrou. " Eles sabiam!"
O corredor virou um massacre.
Balas ricocheteavam. Paredes sangravam concreto. O plano morreu ali.
E eu, caído no ch?o, com sangue escorrendo pela perna, só conseguia pensar em uma coisa:
Isso nunca foi uma invas?o, tá mais para uma armadilha
O tiroteio cessou t?o abruptamente quanto come?ou.
O corredor ficou em silêncio, quebrado apenas pelo estalo distante de alarmes e pelo som
pesado da minha própria respira??o.
Samuel se arrastou até perto de mim, ent?o parou. Lentamente, tirou a luva da m?o esquerda.
A m?o dele era... errada.
A pele parecia marcada por veios escuros, como rachaduras em carv?o queimado. A energia U
pulsava sob a carne, instável, quase viva.
Ele se abaixou, pegou uma pedra do ch?o um simples peda?o de concreto e a segurou entre os
dedos.
" Cobre os olhos " murmurou.
Antes que eu perguntasse qualquer coisa, ele energizou a pedra.
Ela brilhou por um segundo.
E ele arremessou.
O primeiro guarda que tentou levantar a arma foi atingido.
A explos?o foi curta, seca, precisa.
O corpo foi lan?ado contra a parede, reduzido a destro?os humanos e fuma?a. O impacto
sacudiu o corredor inteiro. Fragmentos de concreto e metal choveram ao nosso redor.
Samuel n?o hesitou.
Ele pegou a pistola caída de Torben, ainda quente, e avan?ou dois passos, disparando com
frieza cirúrgica contra os guardas que restavam.
Três tiros.
Três corpos.
Silêncio outra vez.
Eu gemi baixo, pressionando o joelho perfurado. O sangue escorria entre meus dedos.
" Aguenta " murmurei para mim mesmo.
Ativei o Selo de Liga??o.
O calor familiar percorreu meu corpo. A dor n?o sumiu, mas foi empurrada para longe, como
uma maré recuando. O osso come?ou a se recompor lentamente, os músculos se fechando com
dificuldade.
Samuel voltou até mim, respirando pesado.
" Tá inteiro?"
" Só a perna " respondi, for?ando um sorriso torto. " Logo ela fecha."
Ele assentiu, mas os olhos dele estavam distantes demais.
" Ernesto e o El Matador n?o estavam aqui."
Meu est?mago afundou.
" Ent?o onde---"
" último andar " ele respondeu rápido. " Ernesto n?o é burro. Com esse barulho todo, ele já deve
ter ido pra sala de contingência. Aquela maldita sala blindada."
Apertei os dentes.
" Ent?o divide. Eu subo e você desce pro oitavo."
Ele franzi o cenho.
" O Jake "
" Se ele estiver vivo, o encontre. " minha voz falhou por um segundo. " E se n?o estiver... "
Engoli seco.
" Depois ligue para o Derrick e fale pra ele que pode usar aquilo."
Samuel assentiu devagar.
" Boa sorte, Alex."
" Pra você também."
Ele virou e come?ou a descer as escadas correndo, sem olhar para trás.
Eu passei a m?o trêmula pelo baralho preso ao casaco.
Cartas sujas de sangue.
Respirei fundo.
Puxei uma.
ás de Paus.
O símbolo parecia mais pesado do que o normal na minha m?o.
" Vamos acabar com isso agora " murmurei.
E comecei a subir.
Oitavo andar
Samuel chegou ofegante.
O andar parecia um cemitério.
Paredes destruídas, marcas de distor??o no ar, corpos espalhados de forma errada. Como se a
realidade tivesse sido dobrada e amassada ali dentro.
" Jake " chamou baixo.
Nenhuma resposta.
Ele avan?ou entre os destro?os até ver um corpo encostado na parede, meio afundado no
concreto rachado.
" Merda..."
Jake estava um pouco a frente.
O moletom rasgado, o corpo queimado em vários pontos, sangue seco escorrendo do nariz, dos
ouvidos, da boca.
" Você é um filho da puta resistente " Samuel murmurou, se ajoelhando.
Jake abriu um olho com dificuldade.
" Ei " a voz saiu rouca. " Você... n?o é a bruxa..."
" N?o. Ainda bem."
" Que pena... " Jake tossiu sangue. " Ela era gostosa..."
Samuel olhou para Jake, o rosto pesado de culpa.
" Aguenta mais um pouco, australiano. Isso ainda n?o acabou."
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Jake sorriu torto, antes de apagar de novo.
HOSPITAL
Mateus dormia torto na cadeira de plástico, o corpo pequeno encolhido como se ainda estivesse tentando ocupar menos espa?o no mundo. A respira??o era irregular, pesada demais para alguém da idade dele.
Derrick estava de pé ao lado da cama.
Rachel dormia.
Pálida. Magra demais. Os fios de cabelo espalhados no travesseiro como se qualquer
movimento pudesse quebrá-la. O monitor cardíaco marcava um ritmo estável, mas frágil. Cada
bip parecia uma promessa que ainda n?o podia ser cumprida.
" Ela é t?o linda" Derrick murmurou, quase sem voz. " Você tem que acordar logo, Rachel. Já
chega..."
As lágrimas voltaram sem pedir permiss?o. Ele as deixou cair. N?o tinha mais energia pra fingir
for?a.
O celular vibrou no bolso.
O som pareceu alto demais naquele quarto silencioso.
Derrick respirou fundo antes de atender.
" Al?."
A voz do outro lado veio curta, tensa.
" Derrick... o Alex disse pra você usar aquilo."
O mundo pareceu desacelerar.
Derrick fechou os olhos.
Por um segundo, tudo voltou: abandono, ordens nunca escritas, salas onde ninguém entrava
duas vezes. Pessoas carente e necessitando de ajuda. a troca equivalente.
" Entendi " ele respondeu.
Desligou.
Ficou alguns segundos parado, olhando para o nada. Depois enxugou o rosto com a manga da
camisa, como se isso pudesse apagar o que estava prestes a fazer.
Ele se aproximou de Mateus e tocou de leve no ombro do garoto.
" Ei acorda."
Mateus abriu os olhos assustado, levando um segundo para entender onde estava.
" Q-que foi?"
" Mateus, né?"
" Sim"
A voz do garoto saiu pequena. Derrick se ajoelhou para ficar na mesma altura.
" Escuta com aten??o. " O tom dele n?o era duro. Era sério demais. " Você promete proteger a
Rachel?"
Mateus olhou para a cama. Para o bra?o dela cheio de marcas. Para os tubos.
Engoliu em seco.
" Eu prometo. " A voz falhou. " Eu protejo ela. Eu juro."
Derrick assentiu devagar.
" Bom garoto."
Ele tirou um papel dobrado do bolso interno do casaco. A folha parecia comum demais para o
que carregava.
Escreveu algo rapidamente. A caneta tremia um pouco.
Dobrou o papel e estendeu para Mateus.
" Leia isso em voz alta. Exatamente como está escrito."
Mateus franziu a testa.
" O que é isso?"
" Confia em mim."
Mateus abriu o papel.
ele apertou a m?o do Derrick
Leu.
A cada palavra, o ar do quarto parecia ficar mais frio.
"Eu desejo que todos no prédio central da Cidade do México que eu nunca tenha visto sejam
apagados da existência."
A voz dele quase sumiu no final.
O mundo parou.
N?o houve luz. N?o houve explos?o. N?o houve som.
Mas algo cedeu.
Mateus sentiu um aperto no peito, como se o ar tivesse sido sugado para longe por um instante
impossível. O monitor cardíaco oscilou, depois voltou ao normal.
Derrick soltou a m?o do garoto.
A pele dele estava gelada.
" Está feito " disse, com um cansa?o antigo demais para alguém t?o jovem.
Mateus levantou o olhar, assustado.
" O... o que isso fez?"
Derrick n?o respondeu de imediato.
Olhou para Rachel. Depois para o nada além da janela.
" Salvou pessoas importantes para nos. " A voz saiu baixa. " E condenou centenas de almas
culpas e inocentes a uma morte horrível e a esquecid?o"
Mateus sentiu um nó no est?mago.
" Isso é uma ben??o?"
Derrick fechou os olhos.
" N?o. " Ele soltou a m?o do garoto. " Isso é o apenas uma troca equivalente, em alguns dias o
universo mandará, um desastre que matará o mesmo numero de pessoas que matamos hoje."
Mateus sentou tremendo
PRéDIO CENTRAL --- úLTIMO ANDAR
Subi os últimos degraus com a respira??o pesada.
Minha perna já n?o doía, o selo de liga??o pulsava sob a pele, quente, costurando músculo e
osso como se o ferimento nunca tivesse existido.
Quando cheguei ao último andar, o cheiro veio primeiro.
Sangue seco. Ferro. Morte antiga.
O sal?o era amplo, iluminado apenas por lampadas quebradas que piscavam como um cora??o
em falha. No ch?o, roupas , armas, restos do que um dia foram pessoas.
No centro da sala, ele me esperava.
Um homem alto, corpo coberto de cicatrizes, um saco de p?o ensanguentado enfiado na cabe?a,
dois buracos irregulares onde os olhos deveriam estar. Nos bra?os, cintos de couro enrolados
até os cotovelos, apertados como se quisessem esmagar a carne.
Na m?o direita, um fac?o pesado, gasto pelo uso.
Ele inclinou a cabe?a quando me viu.
"Olá de novo, El Matador."
A voz saiu abafada pelo saco, rouca, carregada de ódio.
Ele avan?ou sem aviso.
O ch?o rachou sob seus pés.
Desviei por centímetros, sentindo o vento do fac?o rasgar o ar onde meu pesco?o estava um
segundo antes. Rolei para o lado, me levantei no mesmo movimento, mas ele já vinha de novo.
Cuspiu no ch?o.
"Você lembra do El Pistoleiro?"
O fac?o desceu em arco.
N?o consegui escapar totalmente.
A lamina fatiou meu ombro, abrindo carne até o osso. O impacto me fez girar, o sangue
espirrando na parede.
" ...O cowboy? " rosnei, segurando o bra?o ferido.
Com a outra m?o, puxei o ás de Paus escondido na manga.
Ele riu. Um som doentio.
" Ele foi meu único amigo."
" O único que me entendia quando o mundo inteiro nos ca?ava como monstros."
Inclinei a cabe?a, um sorriso torto se abrindo no rosto.
" Ah, entendi."
" Vocês eram namorados."
Ele congelou por meio segundo.
Foi o suficiente para eu continuar:
" Mas relaxa. Logo vocês v?o estar bem juntinhos..."
" No meu baralho."
O ódio dele explodiu.
"EU VOU TE MATAR! E também levar sua cabe?a pra esposa e pra filha dele!"
Ergueu o fac?o acima da cabe?a.
"LOS LOBOS!"
O ar tremeu.
Quatro lobos de energia celeste surgiram ao redor dele, feitos de luz azulada e presas afiadas
como vidro. No instante seguinte, dispararam contra mim, rápidos demais para olhos humanos
acompanharem.
Minha m?o mergulhou na carta.
" Vem."
A carta se desfez em luz, formando uma lan?a:
Cabo de pinheiro antigo, a lamina de obsidiana negra, viva, refletindo meu olhar.
O tempo desacelerou.
No intervalo de menos de um segundo, avancei.
Um passo.
Um giro.
Quatro estocadas.
A lamina atravessou quatro cora??es antes que os lobos entendessem que já estavam mortos.
Eles se desfizeram em partículas de luz, dissipando no ar como cinzas brilhantes.
O homem recuou um passo.
" El Matador" disse, a voz tremendo pela primeira vez.
" Você conhece a lenda de Rudolf, o homem que forjou dez armas representando os maiores
medos da humanidade?"
" Claro. Quem n?o conhece?"
Ele ergueu o fac?o com a m?o esquerda.
" Esta é a Altersspeer." Girei a lan?a, apontando para ele. " A representa??o da velhice."
Come?ei a avan?ar enquanto falava.
" Como cortesia, vou te explicar a habilidade de---"
Avancei de lado, desviando do fac?o, e arranquei o bra?o dele com um golpe limpo. O membro
caiu no ch?o ainda segurando a arma.
Ele n?o gritou.
Continuei falando.
" Eu posso aumentar meus reflexos ,minha velocidade mas envelhe?o proporcionalmente quanto
mais uso."
Ele girou o corpo com violência, tentando me atingir com o ombro.
Atravessei o peito dele com a lan?a.
" E toda vez que acerto alguém " continuei. " Eu roubo a expectativa de vida do azarado."
Ele tentou me agarrar novamente.
Antes que pudesse terminar o movimento, seu corpo come?ou a se desfazer.
A pele virou poeira.
Os ossos se quebraram em cinzas.
O saco de p?o caiu vazio no ch?o.
O vento levou o que restou.
Olhei para a lan?a em silêncio.
" Merda " murmurei." Isso me custou uns nove meses de vida."
A arma se dissolveu em luz e voltou para o ás de Paus.
Guardei a carta.
Sem olhar para trás, caminhei até a porta no fundo da sala.
A sala que Ernesto me esperava.
Abri a porta.
O cheiro veio antes da vis?o, charuto caro, álcool envelhecido e arrogancia.
Ernesto Moreno estava sentado atrás da mesa, relaxado demais para alguém cercado por morte.
Fumava como se estivesse num clube privado, n?o no epicentro do inferno que ele mesmo criou.
Nem sequer tentou se esconder.
Ele levantou os olhos devagar, um sorriso nojento se formando.
"Olá, Alex Baker."
" Que prazer finalmente conhecê-lo."
Fechei a porta atrás de mim.
" Ernesto Moreno, você será levado para Londres e julgado por todos os crimes que cometeu."
Ele riu. Um riso curto, quase entediado.
" N?o, eu já resolvi isso."
Tirou o celular do bolso e jogou sobre a mesa, empurrando em minha dire??o.
" Fiz um acordo com Wilhelm."
" Estou sob prote??o da OMCB, em troca de informa??es sobre o Projeto AUB e sobre os
membros da Máfia Oscura."
Meu maxilar travou.
" Mentiroso."
Ele inclinou a cabe?a.
"N?o acredita em mim?"
Peguei o celular.
A mensagem estava ali. Clara. Oficial.
Vice-presidente Wilhelm. Termos de imunidade. Prote??o total.
Ernesto Moreno agora é intocável.
Ele se levantou lentamente, caminhando até ficar a poucos metros de mim.
" Alex, um conselho."
" O que mais importa no mundo n?o é justi?a."
Deu outra tragada no charuto.
" é poder e informa??o."
Minhas m?os tremiam.
Ent?o era isso.
Torben.
Kelly.
As crian?as.
Tudo reduzido a moedas de troca.
" Ent?o tudo que você fez" minha voz saiu baixa. " Vai ser perdoado por míseras informa??es?"
Ele abriu os bra?os, teatral
" Viu?"
"Eu venci."
Sorriu, largo.
" N?o importa quantos morreram."
Minha mente explodiu em imagens.
O corpo de Torben no ch?o.
Kelly fria, imóvel.
As crian?as.
O que ele fez com Mateus.
Ernesto riu mais alto.
" Vamos, Alex. Volte para Londres, seja condecorado."
Pegou o casaco.
" E eu? Bem, tenho que ir pra casa, abrir um vinho, comemorar."
Parou na porta.
" Afinal, após hoje com a morte do presidente Ruan, eu serei eleito."
Meu sangue ferveu.
" Você n?o se importa " perguntei, encarando-o. " Com todas as crian?as que matou?"
Ele virou o rosto, impaciente.
" Você se importa com as vacas que comeu até hoje?"
" Ent?o por que eu me importaria com ratos de laboratório?"
Olhei nos olhos dele.
N?o havia culpa.
N?o havia medo.
Só aquele sorriso torto
Peguei a arma.
Ernesto ainda sorria quando atirei.
O disparo ecoou pela sala.
O impacto o lan?ou para trás, o sangue marcando a parede.
Ele caiu sentado na cadeira, imóvel, o charuto rolando pelo ch?o.
E eu fiquei olhando, apenas parado observando.

