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Capítulo 12 — A Anomalia do Grupo Eclipse e o Encontro

  Assim que cruzamos os enormes port?es de carvalho e ferro da Guilda de Aventureiros no Centro Comercial de Eldória, uma parede de odores densos nos atingiu em cheio: couro curtido, suor azedo de batalha, sangue seco de monstros e o cheiro doce de cerveja barata derramada.

  O lugar era colossal. O sal?o principal parecia uma taverna gigante cruzada com um arsenal militar, movimentado e iluminado por pesados lustres de cristal mágico que pendiam do teto abobadado de madeira. O ch?o de pedra estava arranhado por milhares de botas blindadas. Aventureiros de todos os tipos e ra?as — humanos blindados, an?es ferreiros e elfos batedores — andavam de um lado para o outro carregando machados, cajados luminosos e sacos pingando sangue com cabe?as de feras para trocar por ouro.

  O clima era de tens?o e comemora??o bruta. Felizmente, para evitar gargalos, havia vários guichês de recep??o com avaliadores uniformizados e dezenas de portas pesadas que levavam às salas de teste.

  Fomos até a recep??o e esperamos na fila. Eu e Saphira estávamos prontos e decididos a nos inscrever como uma Dupla Oficial de campo. Mas, enquanto aguardávamos a burocracia, a minha audi??o e o meu Olho Avaliador captaram algo destoante na parte mais escura do bar do sal?o.

  Era Joshua Lionheart.

  Ele estava sentado completamente sozinho em uma mesa circular de canto, os bra?os grossos cruzados sobre o peitoral de couro, encarando a caneca vazia de água com uma express?o de frustra??o que eu nunca tinha visto no rosto sempre sorridente dele.

  Com a minha Percep??o agu?ada (for?ada para cima de 80), filtrei o barulho do sal?o e ouvi perfeitamente os sussurros pejorativos de outros alunos nobres da Academia que estavam bebendo nas mesas vizinhas.

  O motivo do isolamento era óbvio e cruel: Joshua possuía Circuitos Mágicos Amarelos. Na biologia da magia, os circuitos amarelos eram conhecidos por serem absurdamente instáveis e imprevisíveis. Nas m?os de um novato de doze anos, sem controle refinado, eles eram uma bomba-relógio. Ninguém da Academia queria arriscar formar grupo com o plebeu grandalh?o, temendo que um feiti?o de suporte sobrecarregado explodisse nas próprias costas da equipe durante uma miss?o perigosa nas masmorras.

  Aquela cena, aquele isolamento por causa de uma maldita cor biológica que ele n?o escolheu ter, me atingiu como um soco direto e sem defesa no est?mago.

  A imagem do Joshua sozinho naquela mesa barulhenta sobrep?s-se violentamente à memória trancada do meu próprio aniversário de cinco anos. Eu vi, por um segundo, aquele imenso sal?o da Mans?o Wolford completamente vazio. O bolo intocado. As velas queimando até o fim. A humilha??o, as risadas pelas costas e a solid?o esmagadora de ser taxado de "Lixo" e julgado apenas por ter nascido com a cor errada de circuitos.

  O meu cora??o apertou de forma dolorosa.

  O instinto frio, puramente matemático e forjado na carnificina de Sentostela me diria para ignorar o problema. O Sistema diria para focar apenas na eficiência perfeita da dupla destrutiva que eu já tinha com a Princesa Isekai Saphira. Mas, naquele exato momento de empatia traumática, eu n?o quis ser uma engrenagem ou uma máquina de farm do Sistema. Eu quis ser humano.

  Caminhei a passos firmes até a mesa dele. Joshua ergueu o olhar, surpreso e tentando disfar?ar a tristeza com um meio sorriso for?ado.

  — Joshua. Levanta essa bunda da cadeira. Quer fazer parte do nosso grupo oficial? — perguntei, estendendo a m?o.

  Saphira, que havia me acompanhado em silêncio, n?o questionou a minha decis?o aparentemente ineficiente. Pelo contrário. Quando olhei para o lado, a Princesa intocável de Sentostela exibia um sorriso deslumbrante, cheio de orgulho e de um consentimento imediato e cúmplice. Ela conhecia a minha história. Ela sabia exatamente e dolorosamente o porquê de eu ter feito aquilo.

  Joshua arregalou os olhos, piscou duas vezes, e o meio sorriso for?ado explodiu num sorriso gigantesco e genuíno que iluminou o rosto dele. Ele agarrou a minha m?o e a apertou com aquela for?a bruta e esmagadora de sempre.

  — Com certeza, Igris! T? dentro, chefe!

  E assim, ignorando os olhares tortos e de zombaria dos nobres da Academia, nós três voltamos ao balc?o de registro.

  Após uma breve vota??o rápida na fila, decidimos o nome oficial que ficaria cravado para sempre nas placas de metal da guilda e na história de Leunders. Demos origem ao grupo: Eclipse.

  A recepcionista-chefe, uma mulher élfica de óculos finos e olhar entediado, anotou rigorosamente nossos dados no pergaminho oficial com uma pena de ouro e explicou a primeira etapa do batismo de sangue.

  — Como vocês se registraram como combatentes híbridos da linha de frente (ataque físico e controle mágico), o primeiro passo regulamentar é medir a capacidade mágica bruta e a reten??o de núcleo de vocês. Vocês devem, um a um, colocar a m?o neste Orbe de Mana ancestral. Ele registrará o nível exato de poder destrutivo e o traduzirá em símbolos universais do Tratado das Guildas.

  Ela apontou com a ponta da pena para uma placa polida de bronze chumbada na parede atrás dela, que explicava a hierarquia dos Ranks de for?a vital:

  [TABELA UNIVERSAL DE RANKS - GUILDA]

  F - Iniciante / O mais fraco.

  E - Inferior à média.

  D - Mediano (Guarda Padr?o).

  C - Normal (Aventureiro Profissional).

  B - Acima da Média (Elite de Batalh?o).

  A - Avan?ado / Veterano de Guerra Letal.

  S - Mestre. Indivíduo que já ultrapassou os limites biológicos comuns da humanidade.

  SS - Anomalia. Na exata mesma categoria de destrui??o de criaturas folclóricas ou lendárias.

  SSS - Catástrofe. Nível de amea?a Divina de Continente.

  EX - Fora do Sistema. Sem teto de limite calculável. O nível existencial superior a um Deus (Registro ativado apenas há milênios, no evento do Fundador de Sentostela).

  A elfa puxou uma alavanca e um pedestal de pedra subiu do balc?o, trazendo um orbe de cristal translúcido do tamanho de um cranio, repousando sobre uma almofada de veludo vermelho.

  Saphira, impaciente, foi a primeira. Ela colocou a m?o delicada e sem luva sobre o vidro frio.

  O orbe reagiu instantaneamente. Ele sugou a presen?a avassaladora dela e come?ou a girar internamente, brilhando num tom prateado e azulado t?o intenso e cegante que ofuscou os lustres mágicos do teto e iluminou cada canto sujo do imenso sal?o da Guilda.

  No centro estourado do orbe, as letras de energia se formaram flutuando no ar: SS.

  O barulho caótico de centenas de canecas de cerveja batendo, espadas sendo afiadas e das conversas densas na Guilda parou de forma t?o abrupta que o silêncio chegou a doer nos ouvidos. O sal?o inteiro, coalhado de assassinos e mercenários, ficou absolutamente paralisado, encarando a luz prateada.

  — I-Isso é uma falha... isso é impossível... — a recepcionista élfica gaguejou, o olhar entediado sumindo, ajeitando os óculos com as m?os trêmulas e o rosto mortalmente pálido. — Uma crian?a humana?! Categoria de criatura lendária e destrui??o em massa?! Menina, pelo amor dos deuses, retire os seus anéis, braceletes ou artefatos de compress?o mágica imediatamente! Falsificar o ranking na avalia??o inicial é um crime gravíssimo de trai??o à Coroa!

  Saphira suspirou, revirou os olhos púrpuras de tédio, abriu os bra?os esguios e permitiu ser revistada por duas magas severas da seguran?a que correram até ali. As mulheres passaram os detectores de runas no corpo da Princesa. Elas n?o acharam absolutamente nada. Nenhuma bateria falsa.

  Quando Saphira tocou o orbe de cristal novamente com as m?os limpas, as duas letras SS brilharam ainda mais fortes, trincando levemente o vidro do artefato com a press?o do Modo Cheat do Sistema dela.

  Era o poder puro e incontestável de uma Visitante de Outro Mundo beirando o Nível 14.

  A bagun?a absoluta se instaurou no sal?o. Aventureiros veteranos, com décadas de cicatrizes, ficaram boquiabertos e come?aram a cochichar em panico sobre de qual laboratório ou buraco do inferno aquela garota de doze anos havia rastejado.

  Depois de muita como??o e carimbos apressados, chegou a minha vez.

  Puxei a luva de couro e coloquei a m?o nua sobre o vidro morno do cristal. Lembrei imediatamente do meu "Nerf". Os meus recém-despertados Circuitos Roxos estavam instáveis, limitando, represando e bloqueando o meu fluxo direcional de magia de ataque, mas a minha capacidade de armazenamento passivo (a minha piscina de Mana bruta) e o meu poder de densidade base ainda estavam ali, trancados, mas monstruosamente inflados pela classe Grande Herói.

  O orbe sugou e o cristal reagiu n?o com luz, mas com escurid?o. Ele brilhou num tom Roxo escuro, vibrante e opressivo.

  A letra se formou rasgando o centro: S.

  N?o foi t?o chocante, cegante e apocalíptico quanto o teste da Saphira, que quase quebrou a máquina, mas registrar um Rank S sólido e incontestável aos doze anos de idade, e com a minha magia literalmente "nerfada" e amorda?ada, ainda nos colocava objetivamente na categoria de aberra??es de combate. Joshua, por sua vez, registrou um Rank C sólido pela densidade impressionante da mana amarela n?o conjurada dentro dele.

  A recepcionista élfica carimbou nossos pesados papéis de identidade com as duas m?os tremendo violentamente.

  — M-Muito bem. O Registro Mágico está concluído. O próximo e definitivo teste é o de Aptid?o e Sobrevivência Física. Por favor, os Ranks S sigam imediatamente pelas portas duplas para a área Escura.

  Lá nas masmorras de avalia??o, conhecemos o nosso avaliador prático. Ele se chamava Garruk. O cara n?o era um homem, era um peso-pesado colossal, com mais de dois metros de altura, uma barba espessa tran?ada com anéis de a?o e músculos expostos que pareciam pedregulhos lascados. O meu Olho Avaliador apitou discretamente e me indicou que ele mesmo era um aventureiro de Rank S, o fiscal de combate corpo a corpo mais brutal e forte da Guilda da Capital de Eldória.

  Ele olhou para a minha ficha de papel, olhou para o meu tamanho, cuspiu no ch?o e estreitou os olhos de predador.

  — Candidato Igris Wolford Heisenberg — a voz dele parecia o ronco de pedras de um urso pardo rolando montanha abaixo. — Serei direto. Eu n?o acredito em cristais quebrados. Pelo seu histórico maldito no orbe lá em cima, e pelas fofocas absurdas que eu ouvi da arena de areia da Academia hoje de manh?, dizem que você n?o é um garoto comum e que deita generais. Pois bem.

  Garruk apontou para uma camara de pedra isolada.

  — Você vai entrar naquela sala fechada sozinho e lutar contra um Fantasma Físico. é uma anomalia, uma proje??o mágica densa de altíssimo nível que testará os seus limites de estresse. E, baseado inteiramente na sua audácia e nos seus números irreais de pirralho, eu alterei o maquinário e coloquei a dificuldade da sala diretamente no Modo Extremo!

  Os outros três aventureiros novatos e mais velhos que aguardavam na fila do nosso lado ofegaram em choque genuíno, recuando um passo.

  O "Modo Extremo" do Fantasma era uma puni??o, uma lenda urbana cruel na Guilda de Eldória. Ninguém, absolutamente ninguém além do próprio gigante Garruk e de cavaleiros da elite blindada da Coroa, havia sobrevivido àquilo para contar a história sem ossos fraturados. Aos doze anos, eu estava sendo submetido à mesma prova??o brutal de um mestre veterano de guerra.

  Sem me dar tempo para protestar, Garruk me empurrou brutalmente pelos ombros para dentro da sala escura, fria e cheirando a oz?nio, e bateu a pesada porta de ferro, selando a saída com uma tranca rúnica.

  Eu n?o via quase nada na escurid?o, além de um fraco brilho azul no piso, mas havia um dispositivo mágico de comunica??o no teto de pedra que transmitia o som ambiente. Eu podia ouvir perfeitamente a respira??o ansiosa e os murmúrios de dezenas de pessoas do lado de fora, acompanhando a avalia??o mortal do "garoto prodígio".

  — O seu único objetivo de aprova??o é ficar de pé e sobreviver por três excruciantes minutos. A batalha... Come?a AGORA! — a voz áspera de Garruk estourou pelos alto-falantes mágicos da camara.

  O ar congelou. Do centro do brilho azul no ch?o e do meio das sombras absolutas, uma proje??o humanóide roxa, feita de pura energia fluida e sem rosto definido, se materializou estalando de poder.

  E ela n?o perdeu um milissegundo de educa??o. Ela voou na minha dire??o.

  Foi absurdamente e catastroficamente rápida! Muito mais rápida que o peso de Topázio, mais agressiva que a magia de Saphira.

  N?o dá pra acompanhar com os olhos!

  [Ativa??o de Risco Extremo: Instinto Superior]

  Minha mana bloqueada foi duramente sugada, e o mundo do meu cérebro mergulhou instantaneamente em super camera lenta. O som distorceu. Fixei as botas e preparei a postura perfeita de contra-ataque de Sentostela, esperando calmamente que a proje??o estivesse flutuando quase congelada no ar para fatiá-la ao meio.

  Mas um calafrio de terror puro percorreu a minha espinha inteira.

  A proje??o humanóide n?o estava lenta. Mesmo dentro do domínio inviolável do meu Instinto Superior, no mundo onde o tempo parava, a anomalia roxa continuava se movendo fluentemente em velocidade normal, como se zombasse do meu Sistema.

  Ela quebrou o meu raio de defesa com uma finta de ombro perfeita, desviou do meu ataque programado, girou o quadril sem atrito com o ar e desferiu um soco limpo, cirúrgico e pesado na minha costela direita.

  O impacto me ergueu do ch?o e me jogou como um boneco de pano com um estrondo violento contra a parede de pedra da sala.

  — Hahaha! O Fantasma Físico é um espelho de pesadelo, garoto! Ele copia, aprende, assimila as estatísticas e aprimora as técnicas corporais do candidato em tempo real! — a voz de Garruk ecoou pelos alto-falantes com um tom de aviso sombrio e cruel. — Tudo o que você fizer de melhor, ele absorve e faz incrivelmente melhor e mais rápido!

  A dor aguda e perfurante na costela trincada me trouxe à realidade amarga e dolorosa.

  Essa avalia??o era uma armadilha perfeita de suicídio. A matemática era óbvia e fatal: Se eu usasse a for?a bruta ou a velocidade da minha Classe de Grande Herói, ele seria mais forte e mais rápido. E o pior... se eu ativasse e usasse a monstruosa e letal Teoria dos 13 Passos, o Fantasma Físico iria escanear e copiar a minha técnica imperfeita (que acabava no sexto passo), refinar o código de movimento dela instantaneamente com a inteligência artificial mágica dele, e me executar brutalmente no escuro com a fluidez dos treze passos perfeitos.

  O meu Sistema amaldi?oado, os meus números astron?micos, os meus truques de sobrevivência... absolutamente tudo o que eu usasse para vencer, se voltaria imediatamente contra mim, multiplicado.

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  A proje??o n?o esperou eu me recuperar. Ela atacou novamente, quicando na parede e avan?ando de forma feroz. Aos olhos estáticos de quem assistia pelo vidro rúnico lá fora, éramos apenas vultos e borr?es de choque colidindo e destruindo as paredes da camara.

  A minha For?a Base 80 e a Agilidade do meu nível superior me mantinham vivo, bloqueando os golpes mortais com o antebra?o, rastejando e recuando, mas eu estava sendo impiedosamente pressionado e massacrado na técnica espelhada. O Fantasma mágico n?o produzia ácido lático. Ele n?o precisava respirar. Ele n?o tinha cansa?o. Eu tinha.

  Como eu ven?o algo que é desenhado pela magia para ser biologicamente e perfeitamente melhor do que eu em tudo? A minha mente correu pelas estatísticas do Sistema e n?o encontrou resposta. A lógica ditava a derrota.

  Foi ent?o, no meio do desespero sufocante, ofegante, sangrando pelo lábio cortado e encurralado na parede escura de pedra batendo a cabe?a contra a parede, que uma lembran?a quente, inesperada e cheia de luz invadiu e clareou a minha mente caótica.

  O cheiro do bolo assando. A luz do sol da tarde. E a voz suave, mas dura e inabalável da minha m?e, Sara Wolford, suada e segurando uma espada de madeira de treino comigo no quintal iluminado de casa, anos atrás:

  "Igris, preste aten??o! A espada nunca é feita apenas de for?a bruta, densidade de mana ou técnica fria. Ela é forjada e temperada através dos seus sentimentos. Se você empunha a lamina e luta apenas por si mesmo, pela sua própria glória, ou motivado unicamente por vingan?a e ódio, o seu poder terá um teto matemático. Você será lido. Você será fraco. Mas... quando você n?o liga para si mesmo, e levanta a espada no desespero para proteger alguém que você ama... a sua for?a espiritual n?o tem limite numérico. Ela se torna incomensurável e imprevisível. Lembre-se disso. O instinto de prote??o destrói qualquer barreira."

  O ódio puro e obsessivo de rasgar a garganta do Zack n?o era o suficiente para me manter de pé naquela masmorra. O Sistema analisou o meu padr?o de batalha. A vingan?a e a fúria cega me deixavam com o foco estreito, reativo e estupidamente previsível (fácil para o Fantasma copiar as equa??es de movimento).

  Eu desviei de um chute letal, encostei as costas na pedra fria e, no meio da tempestade de golpes, eu fechei os olhos por um segundo estático.

  Parei de calcular a dor. Pensei no motivo real e silencioso de eu estar ali suando sangue aos doze anos. Pensei na luz prateada e acolhedora do orbe de cristal. Pensei nela. Na Saphira. Lembrei do sorriso arrogante, porém quente dela. Lembrei da forma cirúrgica como ela me deu um tapa na cara quando eu estava chorando para me tirar do fundo do po?o da depress?o infantil, e como ela esteve sentada, curando as minhas feridas de evolu??o, do meu lado durante cada madrugada sangrenta, torturante e fria em Sentostela.

  Eu percebi a verdade: eu precisava ficar absurdamente forte n?o só para cumprir a minha promessa e matar o passado sujo, mas para ter o poder absoluto de proteger o sorriso de deboche dela no futuro. Para proteger e blindar a minha nova e caótica família que o rei formou. Para proteger a amizade pura de pessoas honradas como o Joshua.

  O meu cora??o, envolto pelos Circuitos Roxos, bateu compassado e explodiu como o tambor de guerra de um exército inteiro.

  O Fantasma Físico era a máquina de avalia??o perfeita da Guilda. Ele copiava velocidade, mana, For?a 80 e movimentos teóricos do Sistema com perfei??o e superioridade.

  Mas ele n?o tinha alma. Ele era um código. Ele n?o podia escanear, processar ou copiar o abstrato, o ilógico e a vontade humana de sacrifício.

  Uma determina??o inabalável, irracional e puramente emocional incendiou e anestesiou as minhas veias, apagando a dor da costela quebrada.

  Meus atributos matemáticos de Nível 12 n?o subiram. O Sistema analítico n?o apitou com nenhum ganho de XP. Mas o meu foco e o meu estado biológico transcenderam completamente a restri??o ridícula dos números.

  Abri os olhos, e a íris estava brilhando com uma preda??o calma e serena.

  A proje??o sem rosto avan?ou voando para engatar o combo do golpe final letal. Eu n?o usei nenhuma técnica secreta do futuro. N?o usei velocidade do Instinto Superior ou magia de fogo que pudesse ser copiada.

  Eu simplesmente firmei as duas botas cravadas no ch?o de pedra molhado de sangue, soltei um grito gutural rasgando a garganta, um urro que fez as paredes e as po??es da sala tremerem, e fui frontalmente de encontro ao Fantasma com a forma mais irregular, pura, caótica, emocional e instintiva da velha esgrima defensiva de Sara Heisenberg. A esgrima da prote??o da família.

  Nossas laminas de madeira ilusórias e reais colidiram dezenas, centenas de vezes em um único segundo desesperado. Eu estava bloqueando e redirecionando cada golpe teoricamente impossível e perfeito dele n?o usando os olhos, mas na base da pura coragem, da resistência e da leitura irregular da inten??o.

  Eu n?o estava apenas seguindo um padr?o de luta do Sistema. Eu estava em modo de sobrevivência espiritual.

  O Fantasma come?ou a cometer erros de cálculo de movimento diante da minha fúria sem padr?o. Eu n?o parei. E ent?o... na colis?o do milésimo ataque instintivo que eu desferi espancando o peito da proje??o até cansar... a tela escureceu completamente, os músculos desligaram e um som abafado e eletr?nico soou na sala. Eu apagueide exaust?o em pé.

  Quando abri os olhos pesados e ensanguentados novamente, o teto n?o era mais de pedra escura. A pesada porta blindada da sala da masmorra estava completamente aberta, deixando a luz entrar.

  Eu estava deitado no ch?o frio. Sentei-me com dificuldade, os músculos doendo, ofegante, o gosto enferrujado de sangue na boca. Eu olhei para baixo e achei que havia falhado no tempo limite. Pensei que veria o olhar de decep??o e deboche nos rostos dos duros avaliadores mercenários.

  Mas, ao levantar os olhos e olhar para fora da porta aberta, o cenário era completamente outro e arrepiador.

  Garruk, o gigante S-Rank... a dúzia de novatos fortes... a recepcionista que desceu com os guardas da guilda... todos eles, sem exce??o, estavam completamente paralisados no corredor, brancos como cera. A enorme prancheta de metal com as regras de anota??o estava totalmente amassada e retorcida nas duas m?os tremeluzentes de Garruk, destruída pela for?a que ele fez sem perceber enquanto assistia horrorizado pelo vidro.

  — V-Você... n?o é um ser humano de verdade... — um dos novatos mais velhos no corredor sussurrou, tremendo dos pés à cabe?a, encostado na parede.

  Apoiei a espada de madeira quebrada no ch?o para me alavancar e ficar de pé.

  — Garoto... — Garruk falou, engolindo em seco, a voz rouca, forte e autoritária falhando num tom de reverência pela primeira vez na vida. — Você n?o perdeu no cron?metro. Você... lutou e se contorceu de uma forma t?o visceral, irregular e assustadora lá dentro que você n?o apenas anulou e bateu de frente com o espelhamento avan?ado do Fantasma no Modo Extremo da Guilda... Você simplesmente excedeu a capacidade do servidor mágico da sala de três minutos.

  O gigante barbudo apontou para o cron?metro estourado no vidro.

  — Você lutou contra a cópia aprimorada da própria morte por excruciantes quatro minutos ininterruptos, até a maldita proje??o mágica colapsar, entrar em pane algorítmica e se desfazer e explodir por falta de mana e excesso de informa??es da matriz da sala. Você n?o passou. Você quebrou a minha avalia??o.

  A notícia correu rápido. O grupo Eclipse havia esmagado impiedosamente os exames burocráticos.

  Com a barra de limite triturada por mim, os testes de Joshua e da monstra da Saphira no Modo Difícil passaram logo em seguida com uma facilidade humilhante e insultante. Tiramos a maior nota de pontua??o conjunta de eficiência teórica e prática da história recente e dos arquivos vivos da Guilda.

  Mas, para ganharmos a placa de identifica??o oficial de metal, havia o Teste Final de Sangue. O temido teste de competência de ca?a prática em campo aberto.

  O objetivo da Quest (Miss?o) Básica: Coletar 10 raízes de ervas medicinais de Sangria nas partes rasas da floresta periférica sul da capital, e provar valor em combate e sobrevivência derrotando, localizando ou afugentando pelo menos 5 Goblins comuns do Rank F.

  Fomos equipados até a periferia lamacenta da floresta em grupo.

  Sendo extremamente sincero? Foi até engra?ado ver os monitores tensos. Para o Grupo Eclipse e as nossas anomalias de for?a, aquilo foi o equivalente biológico a um passeio agradável em um parque ensolarado.

  Na linha de frente, Joshua simplesmente esmagava os goblins burros aos pares com balan?os desleixados da espada larga pesada dele, rindo alto; na retaguarda de controle, Saphira estalava os dedos e congelava áreas circulares de seguran?a, transformando a lama em pistas de gelo que prendiam as bestas; e eu caminhava no meio seguro da tempestade de porrada, usando meu Olho Avaliador de Grau Básico, colhendo tranquilamente e cirurgicamente as ervas medicinais certas nos troncos escuros.

  Mas, o que parecia um exame monótono e uma burocracia vencida virou um filme de terror sangrento e um pesadelo real muito rapidamente para o outro grupo de aventureiros novatos e despreparados que estava sendo avaliado quil?metros adentro, no setor oeste.

  O silêncio do bosque seguro foi rasgado. Ouvimos gritos animalescos de dor, panico histérico e o som agoniante de armaduras de metal sendo amassadas e ossos quebrando ao longe.

  Sem trocar uma única palavra de dúvida, nós três ativamos a For?a nos pés e corremos disparados na dire??o do som de desespero.

  Chegamos a uma clareira destruída e o cenário era uma emboscada macabra.

  Um grupo oficial de aventureiros adultos e supostamente experientes de Rank D, que deviam estar servindo de escolta ou monitoria, estava completamente quebrado, recuado e cercado contra as pedras do pared?o.

  E, no epicentro sangrento daquele massacre iminente, rugindo com a boca babando e segurando um imenso machado de batalha enferrujado e pingando sangue fresco de cavaleiro, estava um formidável Rei Goblin Mutante de Rank B+.

  Uma verdadeira e letal anomalia de zona que n?o deveria estar nos biomas periféricos de calouros. Ele era o dobro do tamanho repulsivo de um goblin normal. Possuía bra?os grossos como troncos de árvores, músculos verde-escuros retorcidos por veias pretas e uma inteligência sádica e predatória brilhando nos olhos amarelos injetados.

  Os aventureiros novatos jogados no ch?o, chorando e tentando segurar as tripas rasgadas dos parceiros, iam ser impiedosamente dilacerados em segundos.

  Eu n?o pensei em XP. A minha determina??o protetora recém-descoberta e forjada na Sala Escura do Garruk assumiu 100% do controle neural do meu cérebro.

  Enquanto o gigante Joshua e a letal Saphira criavam um círculo mágico brilhante na retaguarda para puxar, proteger com escudos de gelo e resgatar ativamente os caídos, eu deixei o saco de ervas no ch?o e avancei pelo meio da clareira ensanguentada.

  N?o usei Instinto Superior para parar o tempo e me exibir. N?o ativei a fuma?a roxa suicida e o risco de desmaio iminente dos 13 Passos.

  Encarei a aberra??o colossal. Usei e apliquei apenas o meu tempo de rea??o absurdo, a velocidade corporal pura de 80 pontos, o movimento técnico absolutamente limpo forjado por Topázio, e o peso cinético esmagador da minha lamina larga de Carvalho Negro de Sentostela.

  O Rei Goblin rugiu um som ensurdecedor, espalhando saliva, e desceu o machado sujo de sangue de cima para baixo em um arco furioso com poder suficiente para me partir como lenha no meio.

  Eu n?o parei o golpe. Eu deslizei pela grama molhada, escorreguei e passei raspando por baixo do arco da morte de forma humilhantemente milimétrica, pisei forte na raiz atrás dele e mirei os olhos fixamente na fraca e exposta jun??o enferrujada da armadura de couro grosso e escamas no pesco?o traseiro da fera.

  Usando a for?a das duas m?os no cabo e a rota??o elástica da cintura, desferi um único, cirúrgico, massivo e letal corte cinético ascendente.

  SQUELCH.

  A madeira afiada e condensada do carvalho negro estra?alhou a armadura de couro como papel e rasgou a carne, os nervos espinhais e a cartilagem de um lado a outro.

  A enorme e feia cabe?a do Rei Goblin decapitada voou rodopiando alto para o céu de forma grotesca, espirrando sangue verde, e o corpo colossal e desgovernado deu um passo em falso e desabou de joelhos no ch?o da floresta com um estrondo de pequeno terremoto, caindo sem vida e levantando poeira e folhas secas. A batalha terminou em três segundos cravados.

  Os aventureiros resgatados, veteranos e novatos feridos, arregalaram os olhos, jogaram as espadas velhas de lado e caíram de joelhos na lama, chorando convulsivamente de alívio por continuarem vivos e respirando.

  Eles olharam, incrédulos, para o pequeno garotinho nobre de doze anos que acabara de desviar e decapitar metodicamente e sem usar magia ruidosa um monstro massivo de amea?a Rank B+ em um único e humilhante golpe frontal. Como forma extrema e sincera de gratid?o, choque e profunda humildade perante a diferen?a de poder absoluto, o líder do grupo ferido n?o apenas beijou as nossas m?os de forma desesperada e nos agradeceu profusamente chorando, como ele mesmo extraiu da fera morta e insistiu quase agressivamente que o raríssimo e valiosíssimo Núcleo de Mana concentrado do Rei Goblin ficasse exclusivamente e integralmente conosco, como espólio de guerra honrado. Nós, literalmente, tiramos eles das portas do inferno.

  Retornamos exaustos ao luxuoso centro da Capital e entramos na Guilda arrastando com naturalidade o saco sujo com as cinco cabe?as dos pequenos Goblins encomendados, o pacote das raras ervas exigidas em perfeitas condi??es intocadas... e atirando no balc?o de mogno com um estrondo a gigantesca e fedorenta cabe?a verde-escura do Rei B+ acompanhada do núcleo de cristal púrpura pulsando.

  O estalo das canecas no bar sumiu de novo.

  A recepcionista élfica deu um gritinho agudo, os óculos trincaram e ela quase caiu de costas da cadeira de rodinhas de tanto susto.

  Ao carimbarmos com sangue fresco e completarmos assustadoramente a simplória e rotineira miss?o de teste da primeira tarde, o resultado burocrático, perante a venda obrigatória do imenso núcleo, gerou um lucro astron?mico no balc?o da Guilda.

  A miss?o inicial, que garantiria uma mesada, indicava o pagamento padr?o humilhante de míseras 50 moedas redondas de cobre pela coleta e limpeza. Mas o inesperado e absurdo B?nus Heroico do Abate do Rei Goblin nos rendeu instantaneamente uma pesada e cobi?ada Moeda de Prata Grande maci?a da Coroa para cada um de nós de recompensa imediata (totalizando estupendas 3 Moedas de Prata Grandes reluzentes de caixa dois para o recém-formado grupo na primeira tarde). Nós éramos, agora, com cheiro de sangue e a grana pesando alto nos bolsos, oficialmente Mercenários Aventureiros Ranqueados.

  Quando os ofícios e os relatórios escandalosos da Guilda local chegaram pela coruja mágica e caíram na mesa do Diretor e dos professores no final da tarde acadêmica, os veteranos deram um salto violento e inacreditável de choque e surpresa das cadeiras acolchoadas da sala dos professores.

  O calouro Grupo Eclipse era a anomalia do ano. Era, objetiva e inegavelmente, sem a menor sombra de dúvidas nos cálculos ou papéis do Reino de Eldória, a maior, mais sangrenta e promissora promessa militar da na??o de Leunders neste século.

  A noite fechou fria e calma. O céu noturno imenso e estrelado da Capital de Eldória estava perfeitamente límpido, brilhante e convidativo, sem as nuvens de guerra no horizonte.

  Normalmente, sob as regras da eficiência psicótica, este seria o exato e triste horário militar em que eu desceria apressado, arrastaria impacientemente a Saphira para os buracos das masmorras escuras e seladas de treinamento do castelo para suar sangue, quebrar minhas costelas e me torturar na repeti??o sem fim tentando avan?ar a instável e assassina Teoria dos 13 Passos.

  Mas hoje... logo hoje... depois de quase morrer afogado na minha própria press?o na sala escura contra o Garruk... algo sutil, quente e silencioso havia mudado irreversivelmente dentro do meu peito blindado pelos Circuitos Roxos. As memórias das palavras gentis e duras da minha m?e que eu revivi na dor da arena, e a sensa??o incrivelmente reconfortante e quente de agora ter feito e consolidado amigos leais, corajosos e reais — pessoas como o forte Joshua que confiou em mim —, me fizeram genuinamente querer dar um imenso e amedrontado passo para trás da linha de frente de guerra constante.

  Eu queria soltar a espada por uma hora e apenas respirar oxigênio limpo. Eu, no fundo daquela montanha de músculos de doze anos e intelecto afiado, queria apenas ser o menino Igris. O humano.

  Tomei um longo e escaldante banho quente, vesti uma camisa social de bot?es, e fui sorrateiramente pelo corredor, pisando leve para n?o chamar aten??o e acordar ninguém, até a ornamentada e chique porta do quarto da Princesa Saphira, localizada no luxuoso, vigiado e perfumado dormitório feminino de elite. Eu levantei o punho cerrado e bati as juntas levemente na madeira cara.

  A porta se abriu de imediato. Ela atendeu de prontid?o, já usando roupas justas de tecido escuro e elástico próprias de treino bruto, e segurando, com olhar predatório, o seu poderoso e mortal cajado prateado brilhando em gelo na m?o direita, esperando uma briga.

  — Pronto para desmaiar e cuspir sangue no ch?o de novo, Senhor Mago Guerreiro de Sangria de Goblins? — ela brincou de pronto, com aquele irritante, letal, mas estonteante sorriso superior de canto de boca Isekai que me fascinava.

  — Na verdade, Saphira... — limpei a garganta rudemente para disfar?ar a falha vocal repentina. A minha coragem desabou em segundos. E de repente, encostando ali no batente da porta iluminada por velas aromáticas do quarto feminino, eu senti um bolo gigante e seco travar e pesar no meu est?mago de um jeito absurdo que aterrorizaria até o mais terrível e assassino Fantasma Físico ou Rei Goblin de masmorra. Senti as pontas geladas das minhas orelhas esquentarem violentamente, entregando a minha covardia emocional e minha vergonha.

  — O quê? Você perdeu a voz com medo das masmorras agora? — ela inclinou a cabe?a, curiosa com a minha hesita??o atípica, o cabelo prateado cascateando solto pelos ombros pálidos.

  — Eu queria saber se você... bom, tipo assim... nós dois sabemos que faz um puta tempo infernal que eu n?o piso ou passeio de verdade livremente na capital grande da cidade... — eu murmurei, engolindo em seco como um plebeu patético e encarando as pontas das minhas pesadas botas limpas no carpete. — E como as aulas oficiais come?am pesadas, eu pensei e achei que... que seria muito, muito mais legal, útil e produtivo n?o treinarmos, sangrarmos ou apanharmos do Sistema hoje à noite. Você... se tiver afim, lógico... Você quer... dar uma volta sem propósito comigo pelo centro rico e comercial noturno de Eldória agora? Como duas pessoas normais?

  Saphira piscou os grandes olhos arregalados, paralisada e em choque com a pergunta mundana em uma vida cheia de abates. O enorme cajado bélico da m?o direita dela escorregou suado e, se ela n?o tivesse tido os reflexos de nível alto e segurado no ar, quase despencou pateticamente no ch?o do próprio quarto com um estrondo de vergonha.

  O rubor carmesim e fofo subiu instantaneamente e corou feio as bochechas claras e frias dela em resposta, transformando e tornando os penetrantes e predatórios olhos púrpuras arregalados da "Sanguinária Princesa de Sentostela" ainda mais brilhantes, assustados e absurdamente humanos e doces.

  O silêncio do corredor das garotas pesou. O medo da rejei??o quase me fez virar e correr.

  Mas, de repente, ela soltou o cabo do cajado pesado de qualquer jeito no tapete com um estrondo ensurdecedor. Ela sorriu de volta. E n?o foi um sorriso afiado, assassino, ou carregado de deboche sarcástico e carnificina do brutal Sistema que ela me reservava nas masmorras cruéis.

  Foi um sorriso de canto genuíno, aberto, meigo, perfeitamente doce e envergonhado de uma garota que n?o tinha absolutamente nada a ver com banhos de sangue de masmorra, hierarquias ou níveis frios.

  — Eu adoraria muito sair dessa jaula, Senhor Igris. E seria um alívio imenso. — Ela fechou levemente a porta pela metade com o pé para eu n?o enxergar dentro, rindo baixo da minha timidez extrema de guerreiro travado. — Me dá só miseráveis quinze minutos apertados no relógio de corda aí no corredor para eu me arrumar e tentar me trocar!

  Voltei disparado, correndo feito um ladr?o sorrateiro de guilda na calada da noite, e explodi a tranca do meu quarto masculino, entrando suando frio e abri violentamente o guarda-roupa lotado de roupas gastas e rasgadas de treinamento físico no mato.

  As minhas velhas m?os grossas e calejadas, aquelas mesmas garras de ferro sujas que, há trinta horas, bateram brutalmente de frente, n?o tremeram covardemente um centímetro diante do golpe descendente letal e ensanguentado do Rei Goblin furioso, ou diante da anomalia do perigoso e letal garruk... e elas agora, simplesmente, trancavam, embara?avam nos tecidos macios e tremiam descontroladamente e de suor frio como a folha de uma árvore em um maldito furac?o classe 5, enquanto eu tentava, pelo amor dos céus, com dedos grossos de For?a 80, prender bot?es minúsculos, encontrar e vestir e enfiar uma gola limpa e uma roupa social aceitável no desespero.

  Eu estava absurdamente, pateticamente e maravilhosamente nervoso, suando muito mais do que se estivesse enfrentando dez cópias minhas no pior e sombrio inferno.

  A masmorra que exigia o sacrifício e a miss?o indiscutivelmente mais perigosa, arriscada e aterrorizante de toda a minha brutal e letal existência em Leunders até ent?o estava perigosa e prestes a come?ar naquela lua cheia.

  O meu primeiro terrível e maravilhoso Encontro ofi

  cial com o garota que eu amava nas sombras.

  [FIM DO CAPíTULO 12]

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